Síntese explicativa

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Introdução Uma síntese explicativa é uma estratégia da escrita acadêmica onde o autor explicita as relações que encontrou nas suas fontes de pesquisa (Behrens e Rosen, 2010, p. 87), de modo que o leitor possa ter uma visão ampla sobre … Continuar lendo

Leitura crítica

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As três principais razões pelas quais alguém escreve um texto são: informar, persuadir e entreter. Neste texto, discuto estratégias para analisar cada um desses tipos, e também estratégias gerais que se aplicam aos três. Continuar lendo

Resumos, paráfrases e citações

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Um trabalho acadêmico é um grande diálogo entre ideias de diferentes autores acerca de um assunto específico. Para que esse diálogo seja feito de forma eficaz, o autor do texto deve saber articular as ideias coletadas de suas referências bibliográficas … Continuar lendo

Métodos mistos de pesquisa

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Método misto de pesquisa é uma abordagem científica que combina estratégias das pesquisas quantitativa e qualitativa em um mesmo projeto (BRYMAN, 2012), aproveitando-se dos pontos fortes de cada método para responder à problemas complexos, que não seriam bem compreendidos utilizando … Continuar lendo

Métodos qualitativos de pesquisa

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Métodos qualitativos são uma abordagem científica que tem por objetivo gerar teorias e hipóteses sobre uma determinada realidade ou sobre um determinado fenômeno. Isto ocorre por meio de um processo indutivo, onde a teoria é criada a partir dos dados … Continuar lendo

Métodos quantitativos de pesquisa

Métodos quantitativos são uma abordagem científica que busca responder a perguntas a partir da coleta de dados e de uma observação objetiva da realidade, considerada externa ao observador (BRYMAN, 2012).

Possui raízes no Positivismo, sistema filosófico que considera a realidade como um dado objetivo. Ao pesquisador caberá fazer a leitura desta realidade a partir da coleta dos dados e das informações fornecidas por essa mesma realidade.

Uma pesquisa quantitativa é um meio para testar teorias objetivas sobre uma determinada realidade, ou sobre determinados fenômenos (CRESWELL, 2010), e tem início quando um pesquisador levanta hipóteses sobre esses fenômenos, e decide confrontar essas hipóteses com a realidade encontrada no decorrer da pesquisa.

Segundo Bryman (2012), a pesquisa quantitativa não tem como objetivo principal gerar novas teorias sobre a realidade, mas sim, por dedução, comprovar ou refutar teorias existentes, ao confrontá-las com a realidade observada.

Para testar essas hipóteses, o pesquisador desenha ou projeta uma pesquisa, definindo seu tipo, suas variáveis, suas condições de experimentação e as ferramentas necessárias para coletar os dados, procurando eliminar vieses e outros tipos de fenômenos que possam interferir nos resultados.

Bryman oferece onze passos como ponto de partida para o desenvolvimento de um projeto de pesquisa (figura 1), que compreendem todas as etapas de uma pesquisa quantitativa, da teoria até o relatório das descobertas, passando pela escolha dos sujeitos da pesquisa, pela definição de variáveis e pela escolha de ferramentas (BRYMAN, 2012).

Figura 1. O processo da pesquisa quantitativa

Os tipos de pesquisa quantitativa

Creswell destaca dois tipos de pesquisas quantitativas: de levantamento e experimental (CRESWELL, 2010). Ambas possuem elementos comuns entre si, quando comparados à estrutura proposta por Bryman, porém diferem quanto ao procedimento e quanto às ferramentas utilizadas para coletar as informações.

Pesquisa de levantamento

Uma pesquisa de levantamento tem como objetivo identificar tendências de uma população a partir de atitudes ou opiniões de uma amostra selecionada dessa população (CRESWELL, 2010). Um exemplo clássico de uma pesquisa de levantamento é a pesquisa de intenção de votos.

Os dados são coletados através de questionários e entrevistas, e as respostas são processadas e transformadas em medidas numéricas, a partir das quais o pesquisador consegue extrair as informações necessárias para contrastar com a sua teoria inicial.

Foto de Nguyen Dang Hoang Nhu no Unsplash

Pesquisa experimental

Já em uma pesquisa experimental, o objetivo é verificar o impacto de um tratamento ou intervenção sobre uma população (CRESWELL, 2010), avaliando se há relação de causa e efeito entre duas variáveis, chamadas de independente e dependente.

Foto de Louis Reed no Unsplash

Um exemplo de experimento é testar a eficácia de um remédio em um paciente, onde o remédio é a variável independente, e o organismo da pessoa é a variável dependente.

Caso haja melhora no estado de saúde do paciente após a administração do tratamento, o pesquisador poderá deduzir que há correlação entre aquele medicamento e a cura para uma determinada enfermidade.

Vantagens da utilização de métodos quantitativos

Medir

Transformar conceitos abstratos em medidas numéricas é uma das principais características e vantagens de se utilizar métodos quantitativos. Ao convertê-los em indicadores numéricos, a pesquisa quantitativa permite maior precisão na análise de diferenças sutis contidas nos fenômenos observados (BRYMAN, pg. 164).

Suponha que um pesquisador deseje avaliar se os colaboradores de uma determinada organização são felizes no trabalho. Para isso, deverá criar indicadores e definições para a felicidade, que possam ser convertidos em uma escala numérica na fase de processamento dos dados, utilizando ferramentas como entrevistas e escala Likert[1].

Causalidade

Por estar fundamentado no positivismo, as pesquisas quantitativas carregam uma preocupação com as relações de causa e efeito entre variáveis, o que possibilita desenvolver soluções para problemas complexos ao conhecermos suas causas, como o já citado exemplo do experimento para verificar a eficácia de um determinado remédio.

Generalização

A generalização é outra grande vantagem de se utilizar métodos quantitativos. Ao observar o comportamento de uma variável em amostras populacionais aleatórias, o pesquisador pode presumir que o resultado do experimento é extensível para o restante da população, possibilitando uma grande economia de recursos.

Ao comprovar a eficácia de uma vacina em uma amostra aleatória de pessoas, pesquisadores podem, com segurança, esperar o mesmo comportamento em outros indivíduos da população que não participaram do estudo, já que seria inviável, por exemplo, testar a vacina em todas as pessoas do planeta para ter a sua eficácia comprovada.

Replicação

Outra influência marcante do Positivismo na pesquisa quantitativa é a objetividade, ou seja, a exclusão ou redução da influência do pesquisador/observador sobre os resultados da pesquisa (KNELLER, 1980).

Isso significa que, respeitadas as mesmas condições, utilizando-se as mesmas ferramentas, as mesmas variáveis, e as mesmas técnicas, qualquer pesquisador poderá chegar às mesmas conclusões, realizando o mesmo experimento.

Críticas ao método quantitativo

Para Bryman, “pesquisadores quantitativos falham em distinguir pessoas e instituições sociais do mundo natural” (BRYMAN, 2012). Isso reflete também uma das maiores críticas ao Positivismo como filosofia da ciência, ao tentar reduzir as dinâmicas sociais às mesmas leis encontradas no mundo natural (TRIVIÑOS, 2009).

Da mesma forma, a tentativa de transformar conceitos em indicadores mensuráveis pode trazer uma falsa noção de precisão para fenômenos que possuem uma série de interpretações vinculadas a valores étnicos, sociais e culturais, e que não podem ser interpretados numericamente sem uma grande perda de seu significado.

Conclusão

Os métodos quantitativos podem ser aplicados em todas as áreas do conhecimento humano, da Medicina às Ciências Sociais, e por meio de suas principais qualidades: medição, causalidade, generalização e replicação, possibilitam a coleta de dados confiáveis sobre a realidade observada.

Apesar de não serem capazes de explicar todos os fenômenos que ocorrem na natureza ou na vida social, constituem uma poderosa ferramenta para o ser humano encontrar soluções para seus principais desafios.

Documentação

BRYMAN, Alan. Research Strategies: quantitative and qualitative research e The nature of quantitative research. In: __________.Social Research Methods. London: Oxford University Press, 2012. p. 35-38 e p.159-181.

CRESWELL, John. Seleção de um projeto de pesquisa e Métodos Quantitativos. In: __________. Projeto de Pesquisa. Porto Alegre: Artmed, 2010. p.25-47 e p. 177-205.

KNELLER, George F. A Ciência na História. In: __________. A ciência como atividade humana. Rio de Janeiro: Zahar; São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1980. p.11-35.

TRIVIÑOS, Augusto Nibaldo Silva. Positivismo. In: __________. Introdução à Pesquisa em Ciências Sociais: a Pesquisa Qualitativa em Educação – O Positivismo, A Fenomenologia, O Marxismo. São Paulo: Atlas, 2009. p. 33-41.


O básico da pesquisa científica

Instituto de Física / UFRGS

Imagine que você tenha uma pergunta qualquer. Por exemplo: “Qual o tamanho da circunferência do planeta Terra?”

Para encontrar a resposta você se utiliza de 5 procedimentos diferentes:

  1. Pergunta para o seu tio viajante, que diz que o tamanho da Terra vai das colinas ao norte até os vales do sul.
  2. Pergunta para um homem que vive em uma caverna e passa os dias refletindo sobre a vida, e lhe diz que o tamanho da terra é medido de acordo com o tamanho da visão de cada pessoa que você conhecer.
  3. Lê uma poesia retirada de um livro empoeirado encontrado no sótão de sua casa. A poesia descreve de forma idílica as paisagens do planeta, o céu azul, e fala de mares e terras inexplorados.
  4. Consulta o sacerdote da sua vila, e este lhe diz que a Terra é obra de Deus e que somente o criador sabe o seu tamanho verdadeiro.
  5. Resolve medir você mesmo o tamanho do planeta, utilizando como ferramentas a observação e um procedimento controlado.

Cada uma dessas opções descreve sucintamente as formas mais comuns utilizadas pelo ser humano para produzir conhecimento.

No primeiro exemplo, o conhecimento foi produzido utilizando o senso comum, ou seja, baseou-se na experiência de vida de um indivíduo, o tio viajante. Para fins práticos, o senso comum pode ser funcional para o seu tio viajante, pois conhecer o tamanho da Terra (de acordo com a experiência pessoal dele), pode ajudá-lo a planejar as próximas viagens.

O problema com o senso comum é que ele não é sistematizado e objetivo, pois se uma outra pessoa tiver uma experiência diferente, a resposta para a pergunta será outra.

No segundo exemplo, o método utilizado para se chegar à resposta foi a filosofia, ou seja, a criação de hipóteses, sem a preocupação de comprovar se as hipóteses levantadas são verdadeiras. Na Filosofia, a finalidade da produção de conhecimento é a própria geração de hipóteses.

O problema da Filosofia é que ela não resolve muitos dos problemas para os quais exigimos uma comprovação. Por exemplo: se queremos construir uma ponte, não podemos apenas supor que dá para construir uma ponte de bambu. Precisamos testar modelos para garantir que esta ponte seja segura e estável o suficiente para atravessar pessoas, cavalos, etc…

Na terceira resposta que você encontrou no livro de poesias, o conhecimento gerado se utilizou do método artístico, cuja finalidade é produzir conhecimento com valor estético. Possui um caráter subjetivo, pois o conhecimento gerado pode ser considerado belo para uns, e ofensivo para outros.

Da mesma forma que o conhecimento filosófico, não apresenta uma necessidade de comprovação, porque o seu valor está na capacidade de gerar encantamento, reflexão, sonhos, e não necessariamente em comprovar o tamanho físico da terra.

A quarta resposta, dada pelo sacerdote, foi produzida através do método religioso. Talvez o sacerdote tenha lido aquilo em alguma escritura considerada sagrada, talvez ele tenha acessado a resposta intuitivamente através de algum tipo de revelação mística.

Assim como os conhecimentos filosófico e artístico, o conhecimento religioso não pode ser comprovado, e depende unicamente da fé individual e da subjetividade daquele que acredita, não podendo ser transmitido de forma sistematizada e objetiva entre os indivíduos.

Por fim, decidimos tentar descobrir o tamanho da Terra por conta própria através da observação de alguns elementos específicos. Repetimos o procedimento diversas vezes, e o resultado foi sempre o mesmo. Você oferece as mesmas condições de observação e as mesmas ferramentas para um amigo seu, e ele também encontra o mesmo resultado que você.

Bem vindo ao chamado método científico, que nada mais é do que uma das maneiras encontradas pelo ser humano para responder a perguntas complexas de forma objetiva, recorrente e replicável.

O método científico não é o único método para se responder perguntas, e tampouco ele é capaz de responder a todas as perguntas. A sua peculiaridade está no fato de ele ser objetivo, ou seja, focado no objeto. Uma das vantagens é que ele visa substituir a subjetividade do pesquisador por ferramentas e procedimentos que podem ser repetidos por outras pessoas.

Medindo a circunferência da Terra

Vamos voltar à tentativa de medir o tamanho da circunferência da Terra. Se fosse hoje, no século XXI, bastaria acompanhar o movimento de um dos milhares de satélites geoestacionários que orbitam o nosso planeta. Seria necessário conhecer duas variáveis apenas: a velocidade média do satélite e o tempo gasto para se retornar ao mesmo ponto de onde você iniciou a contagem.

Em posse dessas 2 informações, você terá a resposta para a pergunta que procura.

Para dificultar um pouco, vamos supor que você tenha disponíveis apenas alguns gravetos e uma visão apurada para realizar os testes.

Esta era a condição de Eratóstenes, filósofo, matemático e crítico de teatro do século três A.E.C., considerado o primeiro ser humano a conhecer o tamanho da circunferência terrestre e descobrir que a superfície do planeta era curva.

O experimento de Eratóstenes levou em consideração as alterações na posição da sombra do sol em horários diferentes do dia, em 2 cidades do Egito: Alexandria e Siena.

No experimento de Eratóstenes estão presentes alguns elementos fundamentais para a produção de conhecimento científico como métodos e procedimentos, variáveis dependentes e independentes. Em primeiro lugar, vamos descrever brevemente o experimento que ele realizou para determinar a curvatura da Terra.

O experimento de Eratóstenes

Eratóstenes ficou com curioso com uma observação: a sombra do sol dentro de um poço se movia conforme o passar das horas, até que ao meio-dia não havia qualquer sombra aparente dentro do poço, e ele podia ver o reflexo inteiro do sol.

A sombra se comportava da mesma forma em um obelisco que ficava na praça da cidade. Ao meio-dia, não havia sombra, e conforme o sol mudava de posição, assim também acontecia com a sombra.

Ele observou esse padrão durante vários dias, até que quis saber se a sombra se comportaria da mesma forma em Siena, uma cidade que ficava à 800 km de Alexandria. Seu objetivo era comparar o comportamento da sombra provocada pelo sol em 2 pontos distantes.

Para isso, planejou um experimento onde ele e seu assistente deveriam medir simultaneamente a sombra de 2 gravetos de mesmo tamanho, durante os mesmos períodos do dia. Para sua surpresa, o comportamento da sombra nos gravetos foi diferente em cada lugar, o que o fez levantar hipóteses para explicar essas observações.

Vou dividir os elementos presentes nessa pequena história para ilustrar os componentes de uma pesquisa científica.

O astrônomo Carl Sagan demonstra de forma simples o experimento de Eratóstenes

Elementos da pesquisa científica

Uma possível pergunta de pesquisa de Eratóstenes poderia ser descrita da seguinte forma: “O sol vai se comportar em Siena da mesma maneira do que em Alexandria?”

As ferramentas utilizadas são os gravetos, instrumentos necessários para a coleta de dados (presença ou ausência de sombra, tamanho da sombra). As ferramentas são os artefatos utilizados pelo pesquisador para extrair as informações da realidade, e a partir delas gerar subsídios para responder à pergunta de pesquisa.

O outro elemento é a luz do sol, que pode ser considerada uma variável independente. Ela é chamada de “independente” porque não é alterada com o experimento: a luz do sol incide na mesma quantidade e intensidade tanto em Alexandria quanto em Siena.

Já a sombra é considerada uma variável dependente, pois a sua medida (o seu tamanho), se altera no decorrer do experimento ao sofrer a ação da variável independente, o sol.

A distância entre as cidades também pode ser considerada uma variável do experimento, pois se a distância tivesse sido menor, por exemplo, os resultados provavelmente seriam diferentes.

Ao meio-dia do dia 21 de junho daquele ano (data do equinócio de primavera no hemisfério norte) Eratóstenes observou que em Siena não havia sombra alguma sob o graveto. Em Alexandria por sua vez, havia uma sombra pronunciada.

A partir dos resultados, ele concluiu duas coisas:

  1. A superfície da Terra é curva;
  2. O tamanho da circunferência da Terra é de 40.000 km (número muito próximo da realidade).

Se qualquer um de nós utilizarmos os mesmos instrumentos utilizados por Eratóstenes, respeitando as mesmas condições (o sol do equinócio de primavera do ano corrente), chegaremos a um resultado muito semelhante, se não igual.

Como disse, o método científico não responde à todas as perguntas, e talvez não seja necessariamente o melhor método em muitos casos. Pense, por exemplo, em confortar uma pessoa na hora da morte de um ente querido. Falar sobre quanto tempo vai levar para o corpo se decompor, ou falar do vazio da existência talvez não seja o mais adequado para essa situação.

Neste caso, o método religioso pode surtir um efeito mais apropriado de aceitação, auxiliando a pessoa a superar o sentimento de luto e de saudade.

Porém a força do método científico está justamente em sua objetividade, e no fato de que as experiências realizadas por um pesquisador podem ser reaproveitadas por outros no decorrer da história, através de documentos, artigos científicos, teses e dissertações.

A Ciência é uma grande comunidade e neste sentido se aproxima muito da utopia de um mundo onde as pessoas se compreendem ao falar a mesma língua – o método científico – e não são discriminadas por suas características físicas ou visões de mundo – objetividade.

Talvez por isso continue sendo até hoje uma das mais instigantes empreitadas da experiência humana.

5 lições para aprender com bilionários de sucesso

Você deve estar familiarizado com o termo “empreendedor de palco”. Geralmente é aquela pessoa que cobra milhares de reais por uma palestra para falar do sucesso de outras pessoas. Ensina a enriquecer colocando em prática atitudes que ela mesma nunca precisou tomar.

Não tenho nada contra alguém ganhar dinheiro dando palestras, consultorias ou qualquer outro serviço, usando meios legais para isso. Porém, não sei se vale o investimento querer aprender com alguém que não trilhou os caminhos do crescimento para se chegar ao sucesso.

Para mim, antes de optar por assistir a alguma palestra sobre o sucesso, ou contratar um consultor que nunca empreendeu para lhe dizer o que fazer com a sua empresa, eu recomendo ler biografias, de preferência autobiografias de empreendedores com sucesso comprovado.

antes de optar por assistir a alguma palestra sobre o sucesso, ou contratar um consultor que nunca empreendeu para lhe dizer o que fazer com a sua empresa, eu recomendo ler biografias

Rick Chester, Geraldo Rufino, Jorge Paulo Lehamann, Renata Vichi, Flávio Augusto, Phil Knight, Ray Kroc, Bernardinho, Rafal Nadal, Tony Blair… A lista não acaba. O mercado editorial está cheio de autobiografias interessantes sobre pessoas bem-sucedidas em diversas áreas, do esporte ao empreendedorismo digital.

O interessante de ler biografias é conhecer não apenas os fatos relevantes na vida dessas pessoas, mas sim compreender quais escolhas os homens e as mulheres de sucesso tiveram que fazer em suas vidas para se tornarem seres humanos bem sucedidos, que se destacam dos demais mortais.

ao conhecer um pouco sobre as escolhas que os fizeram triunfar na vida e nos negócios, podemos mapear seu modelo mental

Ao conhecer um pouco sobre as escolhas que os fizeram triunfar na vida e nos negócios, podemos mapear seu modelo mental e refletir sobre como agimos em nossa própria vida diante dos desafios que se apresentam em nosso contexto.

Um dos livros que mais gostei de ler em 2020 foi o Ponto de Inflexão – Uma decisão muda tudo. Nele, Flávio Augusto faz um retrospecto de sua vida, apontando os momentos decisivos que o colocaram na posição que ocupa hoje.

Percebi em Flávio Augusto muitas posturas e pensamentos comuns a outros grandes empreendedores como Bill Gates, Phil Knight e Ray Krock, o que pretendo discutir neste artigo.

A importância da negociação

Se tem algo comum a todo empreendedor bilionário é a capacidade de negociar. Flávio Augusto considera a venda o aspecto mais importante na sua vida, a ferramenta que lhe deu liberdade para definir o próprio destino.

Até mesmo um renomado introvertido como Bill Gates reconhece que um dos legados mais importantes que recebeu de seus pais foi ter sido forçado a aprender lidar com situações e eventos sociais para equilibrar sua timidez, fato que o ensinou a importância de desenvolver relacionamentos e habilidades de negociação, o que se provou muito útil durante sua carreira na Microsoft.

Da mesma forma, Phil Knight, criador da Nike, relata em seu livro A marca da vitória uma série de situações onde se viu obrigado a negociar, seja com fornecedores, com investidores ou gerentes de banco, e em muitos casos, em um contexto cultural diferente (Phil era representante da Onituska, hoje Asics, e relata várias situações embaraçosas que vivenciou no Japão).

Ray Kroc por sua vez, era um representante comercial, e precisou usar toda a sua expertise em negociação para convencer os irmãos McDonald’s a permitirem que ele transformasse uma pequena lanchonete no interior dos EUA na maior franquia de alimentação do mundo.

A vida é uma venda, como Flávio Augusto disse em uma série de ocasiões, e estamos o tempo todo vendendo: um produto, um sonho, um objetivo em família. A capacidade de reverter situações desfavoráveis, motivar vendedores, selar parcerias, manter fornecedores, convencer o cônjuge a abraçar os nossos projetos, é parte da rotina dos empreendedores.

A importância da Contabilidade

É fácil se empolgar com a ideia de um negócio. Vender também pode ser muito excitante, e um empreendedor com caráter mais extrovertido pode muito bem não querer lidar com o lado mais burocrático e administrativo de uma empresa.

Phil Knight, por exemplo, antes de criar a Nike, equilibrou sua carreira de contador com sua empresa de calçados esportivos. Na época, ele era representante exclusivo da Onitsuka, iniciando o negócio com zero de caixa, sempre pegando dinheiro emprestado com bancos ou com amigos.

Flávio Augusto fundou a primeira escola da Wise Up com R$ 20.000,00 de seu cheque especial. Ray Kroc hipotecou sua própria casa para manter a expansão das primeiras redes de franquias do McDonald’s.

Apesar da coragem de colocar a própria pele em jogo, empreendedores precisam saber manter a saúde do negócio no médio e no longo prazo. Phil Knight teve um empréstimo bancário recusado em um momento crucial da sua empresa porque os balanços contábeis estavam desalinhados com a política de crédito do seu banco.

Flávio Augusto não recomenda fazer o que ele fez para começar a própria empresa e sempre deixou claro que paga todos os seus impostos em dia, seja no Brasil ou nos EUA.

E no caso do McDonald’s, bem, foi um gerente financeiro, Harry Sonneborn, que abriu os olhos de Ray Kroc para que ele mudasse todo o seu modelo de negócio, antes baseado na venda de hambúrgueres, para uma empresa que lucra no mercado imobiliário.

A importância de ter as pessoas certas ao seu lado

Isso nos traz a uma outra questão. Até um determinado ponto, o sucesso de uma pessoa pode ser exclusivamente baseado em seu esforço individual. Talvez você consiga ser um excelente funcionário de uma empresa, ou ter um negócio onde o valor gerado pelo seu trabalho é o seu principal ativo.

O mérito dos empreendedores de sucesso que citei aqui foi ter tido a coragem de arriscar, de deixarem para trás empregos bem remunerados, terem investido seu tempo, seu dinheiro, seu futuro, em projetos que poderiam não dar em nada.

Porem o mérito do indivíduo termina aqui.

Nenhum deles teriam chegado aonde chegaram se não tivessem se associado a pessoas que possuem 2 características principais:

  1. Possuem habilidades complementares às do empreendedor;
  2. Acreditam profundamente no negócio para o qual trabalham.

Ray Kroc, sempre foi acompanhado de June Martino, sua contadora desde quando era representante comercial e futura diretora administrativa do McDonald’s; Ted Turner, que era chapeiro na loja “número 1” e depois se transformou em seu sócio; e também contou com a ajuda de pessoas como o já citado Harry Sonneborn para transformar completamente o seu modelo de negócios.

Phil Knight teve alguns fieis escudeiros no início da sua empresa (Blue Ribbon), que em determinado momento até abriram mão de descontar o próprio salário para manter o valor em caixa. Pessoas que eram aficionadas por tênis de corrida, mas que sobretudo acreditavam na empresa de “Buck” Knight.

Flávio Augusto conta com vários executivos que trabalham com ele há 15, 20, 25 anos. Pessoas que evoluíram junto com suas marcas, e representam um papel fundamental na gestão da sua organização. No livro Ponto de inflexão ele narra a incrível história da caneta Mont Blanc presenteada a um de seus principais executivos, Édio Alberti, e que foi usada para assinar a venda da Wise Up em 2013 e a sua recompra em 2015.

A importância de casar bem

Esse é um padrão em comum que notei nesses bilionários. Estamos falando de pessoas que não nasceram em berço de ouro, não são filhos de bilionários ou de pessoas ricas. São pessoas de classe média que tiveram um crescimento exponencial em suas vidas.

Um dos padrões desse crescimento é terem casado com uma pessoa que não apenas acreditou em seus sonhos, como também tinha total envolvimento na tomada de decisões de suas empresas, e em muitos casos até mesmo participou diretamente da operação.

É o caso de Penny Knight, casada até hoje com o criador da “marca da vitória“. Penny e Phil se conheceram quando ele dava aulas em uma universidade. Depois disso ela foi trabalhar no setor administrativo da Blue Ribbon, e sempre participou das decisões importantes da empresa do marido.

Flávio Augusto sempre ressalta que tudo o que ele construiu foi feito junto com sua esposa Luciana. Quando se casaram, ele tinha 20 anos, e ela 17. Ambos estavam juntos quando tiveram que tomar uma drástica decisão de reorganização administrativa da empresa, e apesar de hoje Luciana estar afastada da gestão, toma parte de todas as decisões estratégicas.

Já Ray Kroc era casado com uma pessoa que, segundo ele, não o incentivava em suas empreitadas. E de fato teve um crescimento limitado na empresa de representação comercial e na vida como um todo até conhecer Joan, sua terceira esposa, e com quem viveu até o fim de seus dias.

E Bill Gates. Bem, Bill e Melinda se conheceram na Microsoft. E apesar de ela não ter participado da fundação da empresa, é uma parceira inseparável de Gates na “Bill & Melinda Gates Foundation”, e também participa de todos os projetos realizados pela fundação.

A importância de estar no momento presente

Pergunte a Flávio Augusto, a Ray Kroc e a Phil Knight: “vocês imaginavam que chegariam aonde chegaram?” E a resposta será um sonoro “não”.

Nenhum deles imaginou que um dia seriam donos de marcas globais, impactando milhões de pessoas, e que teriam atingido resultados tão expressivos.

O fato é que eles simplesmente estavam vivendo o momento presente. Lidando com os problemas e ampliando seus sonhos a medida que iam caminhando.

Flávio Augusto nunca pensou que seria um empreendedor digital e que teria uma rede de franquias tão bem sucedida. No início queria apenas vender cursos de inglês, e depois, ter a sua primeira escola de línguas.

Phil Knight, no início, só queria ser representante exclusivo de uma empresa japonesa de calçados esportivos. Fabricar os próprios modelos de tênis foi uma saída para a ruptura de contrato que estava à sua frente. De fato, ele nem gostava do nome Nike.

E Ray Kroc, antes um representante de vendas, conheceu a grande oportunidade da sua vida com quase 50 anos, e ainda que a sua visão tenha sido grandiosa, jamais imaginou que seria dono de uma marca presente em todos os continentes do mundo, e que definiria a cultura de seu país.

Conclusão

Procurei com esse texto identificar um pouco do modelo mental de grandes empreendedores, e de como algumas escolhas e comportamentos fizeram ser quem eles são.

Obviamente, não foram apenas estes fatores que definiram o seu sucesso. Há muitas outras atitudes e escolhas que um empreendedor toma em sua vida pessoal e profissional, porém achei interessante pontuar fatores em comum de pessoas que admiro.

Espero que você tenha gostado. Continue se instruindo, continue querendo crescer, continue querendo melhorar de vida e aprimorar. Como diz o Flávio Augusto, “Você provavelmente não ficará bilionário, mas com certeza dá para melhorar de vida”.

Um abraço e até o próximo artigo.